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A Solidão do Escritor Independente
A Solidão do Escritor Independente

A SOLIDÃO DO ESCRITOR INDEPENDENTE

Divulgar é, muitas vezes, a parte mais silenciosamente cruel de criar.

Porque não basta escrever. Não basta sentir. Não basta colocar no papel algo que, em algum momento, pareceu quase sagrado dentro de você.

Depois de tudo isso, ainda existe o mundo, e o mundo não está esperando. Ele não está em silêncio reverente, aguardando sua história. Ele está distraído, apressado, saturado.

E então você mostra.

Mostra com cuidado, quase com vergonha, como quem entrega algo frágil demais para mãos que não prometem delicadeza. E o que volta, na maioria das vezes, é o vazio. Poucos olhares. Poucas respostas. Às vezes, nenhuma.

É aí que mora a frustração.

Porque divulgar não é só “postar”. É se expor. É repetir, insistir, reapresentar algo que já exigiu tanto de você, como se ainda não fosse suficiente. É ver uma obra que nasceu com profundidade ser reduzida a um título, uma capa, um algoritmo.

É cansativo. É ingrato. É, muitas vezes, solitário.

E ainda assim… você não para.

Existe algo teimoso dentro de quem cria. Algo que não sabe viver sem tentar mais uma vez. Não é vaidade, como muitos pensam. Não é nem esperança pura. É mais profundo do que isso.

É quase uma necessidade de existência.

Porque, depois que uma história nasce, ela não pertence mais só a você. Ela pede mundo. Ela quer ser vista, mesmo que por poucos. Mesmo que por um. Existe uma espécie de inquietação que não se resolve enquanto aquilo não encontra algum tipo de eco fora de você.

E talvez seja isso que nos impede de desistir: não a certeza de sucesso, mas a impossibilidade de silenciar o que já foi criado.

Divulgar, então, deixa de ser apenas um esforço externo. Vira um conflito interno.

Entre o cansaço de continuar e a incapacidade de abandonar.

E, no meio disso, seguimos.

Não porque é fácil.

Não porque funciona sempre.

Mas porque, de algum modo difícil de explicar, parar seria mais doloroso do que tentar de novo.

Muito obrigada por ler a minha reflexão.

 

Do Facebook por Sandreanny Crystine